segunda-feira, 31 de agosto de 2015

... consolida, # filho # , consolida ...


Há em Portugal a consideração de que um placebo eleitoral resolve os problemas estruturais de uma sociedade capturada por uma oligarquia fechada e corrupta.
Tendo em conta que os níveis médios de instrução em Portugal são bem mais baixos do que em Espanha e Itália, alguns fanáticos do voto incondicional dirão, perante o gráfico aqui reproduzido onde se mede o grau de interesse pela política nos três países: “pois, por isso há muitos abstencionistas!”
Dito de outro modo, os abstencionistas são ignorantes ou burros e por isso não conseguem almejar as diferenças entre a concorrência eleitoral em Portugal, nem reconhecem as enormes qualidades culturais e éticas dos esforçados membros da classe política, no seu todo.
Há incondicionais do voto que, dos fundos da sua devoção, apontam para o voto obrigatório sem perceberem que, para além do caráter antidemocrático da medida (que nem os fascistas/salazaristas impuseram), ela seria inútil pois quem fosse obrigado a votar contrariado teria razões acrescidas para anular o voto, votar em branco ou em dissonância com o que os nossos fanáticos do voto gostariam. Estes, provavelmente gostam é dos 99% das eleições norte-coreanas, essas sim … participadas por um povo exemplar (à força).
Perante as lógicas dos devotos do voto incondicional, elaborei estas notas:
=> Nas últimas eleições europeias, o grau de abstenção dos portugueses foi o oitavo mais alto com 65,5%, ombreando com os países do Leste e pouco acima da Inglaterra e da Holanda, onde a parcela de burros na população parece ser idêntica à registada em Portugal; apesar de todos eles terem níveis médios de instrução muito superiores;
=> Em Espanha, nas eleições autonómicas recentes, as abstenções foram de 49,3% (contra 52,2% em 2011) devendo-se o maior interesse no voto às mudanças no xadrez político. Metade dos espanhóis continua, no entanto, a ser constituída por burros e ignorantes…
Ainda em Espanha, no capítulo das últimas municipais, a abstenção foi de 35,5% e aí, de facto, verificou-se uma enorme pluralidade de concorrentes e de gente com provas dadas no âmbito dos movimentos sociais como Ada Colau, gente que ninguém viu ou vê em Portugal, a concorrer a eleições;
=> Na Itália, a participação nas eleições regionais passou de 72% em 2005, para 64,6% em 2010 e 56% em Maio recente. Os italianos são estúpidos pois não compreendem o caráter democrático de um regime onde na Câmara de Deputados, o partido vencedor, com 29.5% dos votos fica com 55% dos deputados;
=> Em Portugal, nas autárquicas de 2013, não se passou de uma redistribuição dentro dos partidos-estado PSD/PS, entre caciques, empreiteiros e mafias locais, alterne esse que não entusiasmou 51% do eleitorado que se absteve, votou nulo ou em branco (contra 42,7% em 2009). Na lógica dos nossos fanáticos do voto, em quatro anos cresceu 9% o número de asininos em Portugal. Claro que aquela percentagem é exagerada pois a classe política pouco se importa que existam uns 0,8 a 1 milhão de eleitores fantasmas que talvez um dia votem, se for necessário para legitimar o regime, como acontecia no tempo de Salazar.
=> No capítulo das legislativas e desde 1975, os votantes em partidos têm-se mantido estáveis (entre 5,2 e 5,9 milhões) enquanto os abstencionistas adicionados com os votos nulos e em branco passaram de 900 mil em 1975 para 4,3 milhões em 2011, um valor que evidencia estarmos perante um regime desafeto para mais de quatro milhões de pessoas.
Se pensarmos que o perfil educacional da população cresceu substancialmente não será certamente a ignorância ou a estupidez que faz as pessoas não votarem.
E… que tal pensar-se nas razões porque os sistemas partidários
 abanam nos outros países do sul da Europa e, em Portugal nada mexe ?
 “Consolida, filho, consolida”   (Zé Mário Branco)

 
AQUI OS TEMOS:

1 comentário:

  1. CORRUPTOS....MENTIROSOS....LADROES...O PASSOS TAMBEM DEVIA ESTAR EM EVORA!!!!!

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