segunda-feira, 5 de março de 2012

Diz Gaspar "A história garante que venceremos a crise"

Num momento de crise não podemos alimentar ilusões e fantasias, é preciso sermos realistas. Já passaram mais de oito meses de Governo e as perspectivas são de continuarmos a encolher o PIB e aumentar o défice e a nossa miséria. O próprio ministro das Finanças já confessa a sua impotência e incapacidade para encontrar solução e diz que:



"A história garante que venceremos a crise", diz Gaspar  

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2341624&page=-1

A história diz que as crises foram sempre resolvidas à porrada. Parece que é essa a única solução que ele visiona!!!

Ainda há mais gente que não se cala, perante tão grande embuste que todos estamos a viver.

Demita-se, senhor Primeiro-Ministro

Nicolau Santos, na sua habitual coluna do semanário Expresso, desnudava a alma, com estes termos:

Sr. primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes? Também eu, senhor Primeiro-Ministro. Só me apetece rugir!... O que o Senhor fez, foi um Roubo! Um Roubo descarado à classe média, no alto da sua impunidade política! Por isso, um duplo roubo: pelo crime em si e pela indecorosa impunidade de que se revestiu. E, ainda pior: Vossa Excelência matou o País! Invoca Sua Sumidade, que as medidas são suas, mas o deficit é do Sócrates! Só os tolos caem na esparrela desse argumento. O deficit já vem do tempo de Cavaco Silva, quando, como bom aluno que foi, nos anos80, a mando dos donos da Europa, decidiu, a troco de 700 milhões de contos anuais, acabar com as Pescas, a Agricultura e a Industria. Farisaicamente, Bruxelas pagava então, aos pescadores para não pescarem, e aos agricultores para não cultivarem. O resultado foi uma total dependência alimentar, uma decadência industrial e investimentos faraónicos no cimento e no alcatrão. Bens não transaccionáveis, que significaram o êxodo rural para o litoral, corrupção larvar e uma classe de novos muitíssimo-ricos. Toda esta tragédia, que mergulhou um País numa espiral deficitária, acabou, fragorosamente, com Sócrates. O deficit é de toda esta gente, que hoje vive gozando as delícias das suas malfeitorias. E você é o herdeiro e o filho predileto de todos estes que você, agora, hipocritamente, quer pôr no banco dos réus? Mas o Senhor também é responsável por esta crise. Tem as suas asas crivadas pelo chumbo da sua própria espingarda. Porque deitou abaixo oPEC4, de má memória, dando asas aos abutres financeiros para inflacionarem a dívida para valores insuportáveis e porque invocou como motivo para tal chumbo, o carácter excessivo dessas medidas. Prometeu, entretanto, não subir os impostos. Depois, já no poder, anunciou como excecional, o corte no subsídio de Natal. Agora, isto! Ou seja, de mentira em mentira, até a este colossal embuste, que é o Orçamento Geral do Estado. Diz Vossa Eminência que não tinha outra saída. Ou seja, todas as soluções passam pelo ataque ao Trabalho e pela defesa do Capital Financeiro. Outro embuste. Já se sabia no que resultaram estas mesmas medidas na Grécia: no desemprego, na recessão e num deficit ainda maior. Pois o senhor, incauto e ignorante, não se importou de importar tão assassina cartilha. Sem Economia, não há Finanças, deveria saber o Senhor. Com ainda menos Economia (a recessão atingirá valores perto do5% em 2012), com muito mais falências e com o desemprego a atingir o colossal valor de 20%, onde vai Sua Sabedoria buscar receitas para corrigir o deficit? Com a banca descapitalizada (para onde foram os biliões do BPN?), como traçará linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, responsáveis por 90% do desemprego? O Senhor burlou-nos e espoliou-nos. Teve a admirável coragem de sacara os indefesos dos trabalhadores, com a esfarrapada desculpa de não ter outra hipótese. E há tantas! Dou-lhe um exemplo: o Metro do Porto. Tem um prejuízo de 3.500 milhões de euros, é todo à superfície e tem uma oferta 400 vezes!!! Superior à procura. Tudo alinhavado à medida de uns tantos autarcas, embandeirados por Valentim Loureiro. Outro exemplo: as parcerias público-privadas, grande sugadouro das finanças públicas. Outro exemplo: Dizem os estudos que, se V. Exa cortasse na mesma percentagem, os rendimentos das 10 maiores fortunas de Portugal, ficaríamos aliviadinhos de todo, desta canga deficitária. Até porque foram elas, as grandes beneficiárias desta orgia grega que nos tramou. Estaria horas, a desfiar exemplos e Você não gastou um minuto em pensar em deslocar-se a Bruxelas, para dilatar no tempo, as gravosas medidas que anunciou, para Salvar Portugal! Diz Boaventura de Sousa Santos que o Senhor Primeiro-Ministro é um homem sem experiência, sem ideias e sem substrato académico para tais andanças. Concordo! Como não sabe, pretende ser um bom aluno dos mandantes da Europa, esperando deles, compreensão e consideração. Genuína ingenuidade! Com tudo isto, passou de bom aluno, para lacaioda senhora Merkel e do senhor Sarkhozy, quando precisávamos, não de um bom aluno, mas de um Mestre, de um Líder, com uma Ideia e um Projeto para Portugal. O Senhor, ao desistir da Economia, desistiu de Portugal! Foi o coveiro da nossa independência. Hoje, é, apenas, o Gauleiter de Berlim. Demita-se, senhor primeiro-ministro, antes que seja o Povo a demiti-lo.


Nicolau Santos           

EXPRESSO          

2 comentários:

  1. Caro José Pires,

    Sem dúvida que a situação de Portugal, dos portugueses, é motivo real para descontentamento e ausência de esperança para melhoras a curto ou médio prazo. E, se não houver mudanças, nem para o longo prazo se justificam esperanças concretas.

    As banalidades do PR de que a crise tem que ser resolvida com o esforço de todos os portugueses são tão banais que ninguém das classes mais desfavorecidas as ignora, pois as sente na mesa e em todos os aspectos da vida quotidiana.

    Porém, há uma quantidade de parasitas e abutres que, se têm preocupações, elas relacionam-se com a aplicação nos off shores que desejam ser mais rentável.

    Não pode ignorar-se que um administrador da CGO numa viagem a Maputo utilizou a Air France em vez da TAP, gastando o triplo .

    Devendo o esforço ser de todos será bom que a oposição desempenhe um papel mais positivo. Explico. Está certo que, como vem fazendo, critique todos os aspectos menos correctos da governação, mas não deve ficar por aí. É certo que a oposição tem sempre presente a vontade de obter votos nas próximas legislativas, mas pode atingir esse desiderato, pela positiva sem se limitar a ser demolidora. Para ganhar, o trilho a seguir não deve ser o da canelada e da rasteira.

    Se um Partido apresentar na AR ou apenas na Comunicação Social uma proposta ou sugestão bem elaborada, fundamentada e pormenorizada para um sector específico, mesmo que ela não venha a ser aprovada, valoriza o Partido que, mais tarde, pode afirmar que «isto está muito mal mas estaria melhor se tivesse sido aceite a nossa proposta ou sugestão de tal data». Se os Paridos seguissem esta via de mostrar aos portugueses o seu valor e capacidade para gerir bem os problemas nacionais, estariam a somar pontos para as próximas eleições.
    E, dessa forma, estarão a contribuir para os portugueses saírem da crise e serem aliviados dos apertos em que os têm estado a meter. O povo agradecerá.

    Como é feita uma referência ao ministro das Finanças, deixo aqui links para algumas leituras propensas a reflexão:

    A história garante que a crise passa !!!

    Gaspar não previu e está em pânico...

    O País mais difuso do euro

    Longe vá o mau agoiro...

    Austeridade prejudica os mais pobres

    Abraço
    João

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  2. Sim!... A História garante que venceremos a crise, mas com o Povo e pelo Povo. Não é desistindo das pessoas de mais modestos recursos, dos jovens, investindo camufladamente fundos que ainda restam em grandes grupos económicos responsáveis pela derrapagem das contas públicas, esbulhando e reduzindo à pobreza as pessoas de medianos recursos, que aí chegarão.

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