segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Passos e as «conversas em família»

Transcrição de notícia de jornal, seguida de NOTA:

Passos promete reformas para "democratização" da economia
Público. 25.12.2011 - 21:07 Por São José Almeida

Passos Coelho sublinhou que "2012 será um ano de grandes mudanças e transformações".

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, aproveitou o espaço televisivo da mensagem de Natal para olhar para o próximo ano e garantir que “2012 será um ano de grandes mudanças e transformações”, as quais “incidirão com profundidade nas nossas estruturas económicas”, com o objectivo de conseguir o que entende pela “democratização” economia.

Lembrando que já tinha anunciado que “2012 será um ano determinante” para “todos os portugueses”, o primeiro-ministro sublinhou que no próximo ano o país terá “muitos compromissos para honrar” e “muitos objectivos orçamentais e financeiros para cumprir”, mas frisou que será um ano importante “sobretudo porque temos muitas reformas estruturais para executar”.

Passos Coelho fez questão de apresentar as razões que encontra na sociedade portuguesa que justificam a sua atitude reformista da organização da sociedade e da economia e argumentou que “são estas estruturas que muitas vezes não permitem aos portugueses realizar todo o seu potencial, que reprimem as suas oportunidade”, mas que também “protegem núcleos de privilégio injustificado, que preservam injustiças e iniquidades, que não recompensam o esforço, a criatividade, o trabalho e a dedicação”, por isso, concluiu que “são estruturas que têm de ser mudadas”.

Transformação do país

Explicando o que quer dizer com democratização da economia, o primeiro-ministro explicou que quer “colocar as pessoas, as pessoas comuns com as suas actividades, com os seus projectos, com os seus sonhos, no centro da transformação do país”. E “que o crescimento, a inovação social e a renovação da sociedade portuguesa venha de todas as pessoas, e não só de quem tem acesso privilegiado ao poder ou de quem teve a boa fortuna de nascer na protecção do conforto económico”.

Para isso, prosseguiu, quer que “estas reformas nasçam de baixo para cima, para os que se propõe “criar as condições para que todos os portugueses, cada um dos portugueses, nas suas escolhas, com o seu trabalho, com as suas capacidades, construam o seu próprio futuro e, em conjunto, o futuro de todos”. E garantiu que “as reformas que o Governo vai executar foram pensadas para fazer dos homens e das mulheres de todo o país os participantes activos na transformação e na recuperação de Portugal”.

Referindo-se especificamente ao facto de falar no dia de Natal, Passos Coelho referiu que esta “ a importância de relações de amizade, de solidariedade e de confiança”, para sublinhar que “na nossa vida colectiva a degradação dos laços de confiança ao longo dos anos teve graves consequências na qualidade da nossa democracia, no nosso desempenho económico e na nossa solidariedade comunitária”.

Defendeu ainda que “a confiança é um activo público, é um capital invisível, é um bem comum, determinante para o desenvolvimento social, para a coesão e para a equidade” e que “são os laços de confiança que formam a rede que nos segura a todos numa mesma sociedade”. Prometendo em seguida que “um dos objectivos prioritários do programa de reforma estrutural do Governo consiste precisamente na recuperação e no fortalecimento da confiança”. E explicou que se referia “não só da confiança dos cidadãos nas instituições, mas também da confiança que temos uns nos outros, nas nossas relações profissionais, nas nossas relações sociais e nas nossas relações de cidadania”.

Até porque, concluiu o primeiro-ministro, “com mais confiança vem mais solidariedade, mais democracia, mais justiça e mais vitalidade social”. E isso só se consegue, segundo o mesmo Passos Coelho, com reformas. “Para construir a sociedade de confiança que queremos temos de reformar a Justiça, temos de tornar muito mais transparentes a máquina administrativa e as decisões públicas, temos de abrir a concorrência, agilizar a regulação e acelerar a difusão de uma cultura de responsabilidade no Estado, na economia e na sociedade”, garantiu.

NOTA. A memória faz que o tempo antigo seja recordado e, de tal recordação, surgem comparações que podem ser traduzidas em lições que distinguem o melhor e o pior, aquilo que deve ser repetido e o que deve ser evitado.

A comunicação social está a usar o verbo «garantir» quando se refere a simples promessas eventualmente bem intencionadas ou, pelo contrário, falaciosas.

As palavras da mensagem de Natal do PM são maravilhosas, mágicas, divinas, indo ao encontro de sugestões
aqui colocadas e reforçadas em posts posteriores. Mas, como ali se disse, o pensador que pretenda colaborar na passagem a «nova etapa de civilização» deve «usar de isenção, independência e apartidarismo», porque quem está comprometido e condicionado pelas soluções erradas que originaram a crise, não dispõe de real liberdade de pensamento e de acção para a mudança profunda que agora foi «garantida».

Quando comecei por falar de memória recordei-me de Marcelo Caetano que, pouco depois de assumir o cargo de «Presidente do Conselho de Ministros», iniciou regulares «conversas em família» em que começou por citar os diversos problemas do País que era necessário resolver e deixando a promessa de reformas profundas, em estilo semelhante ao agora usado por Passos. Em conversa com amigos, no dia seguinte, disse que se o anterior governo tinha a desculpa de não saber de tais problemas, este deixou de ter tal desculpa e tornava-se mais responsável no de não lhes dar solução. Aquela declaração de conhecimento da situação real foi um passo arriscado.

Essa impressão que me ficou veio a tornar-se concreta quando, um ano depois, noutra «conversa em família», veio a repetir vários aspectos que continuavam à espera de solução, o que não podia ser interpretado senão como uma confissão de fracasso, de incapacidade para resolver os problemas que tinha mostrado conhecer.

Ter boas intenções e fazer promessas deliciosas, de nada serve se as realidades não vierem a mostrar competência, capacidade, vontade e coragem para as concretizar.

Para bem de Portugal e dos Portugueses, será bom que Passos Coelho consiga ter mais êxito do que teve Marcelo Caetano e torne realidade as suas promessas de profundas reformas, que o País precisa.

A memória diz também que Sócrates iniciou o seu primeiro governo com belas promessas de reformas mas, ao querer concretizá-las, errou na metodologia, agindo contra quem devia ter sido chamado a colaborar, como juízes, professores, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, militares e polícias.

Imagem de arquivo

3 comentários:

  1. O que a Infopédia diz das

    Conversas em Família

    Programa televisivo, estreado na RTP a 8 de janeiro de 1969, da responsabilidade de Marcello Caetano. Numa altura em que o Estado Novo se encontrava já fragilizado, o então presidente do Conselho decidiu, 2.º o parecer de Ramiro Valadão, homem forte da RTP, comunicar com o povo via televisão, contando-lhe os factos do seu ponto de vista e, assim, desfazer boatos. Num dispositivo de conversa unívoca, sem intermediações, Caetano pretendia dar um ar de modernidade ao sistema político, enquanto doutrinava as pessoas. Num estilo que oscilava entre o professoral e o coloquial, Marcello explicava as opções políticas do regime e falava das "ciclópicas tarefas" que existiam pela frente. Na 16.ª e última emissão, a 28 de março de 1974, surgiu num tom amargo como que a adivinhar o fim próximo, falando do triste episódio da sublevação militar das Caldas da Rainha e do mundo selvagem em que se vivia. Foi aqui usado pela primeira vez um teleponto na televisão portuguesa.

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  2. Amigo João:

    A situação do País é insustentável, muito pelas atitudes e decisões de ex e actuais governantes.
    A quando da entrada para a C.E.E. tudo parecia ser maravilhoso (Mário Soares foi o seu grande impulsionador).
    A nossa agricultura e as pescas foram absorvidas com subsídios para as destruírem.
    Hoje NÃO temos nem uma coisa nem outra :’ (

    Com a transformação económica de C.E.E. em C.E. os países mais ricos conseguiram impor o €uro e as consequências que daí advieram.
    Hoje, Dezembro de 2011 D. C. , a Europa não tem possibilidades de se manter como C. E.

    As crises SÃO provocadas tal como foi o 11 de Setembro e quem se trama são sempre os inocentes.

    O(s) poder(es) económico(s) estão sobrepostos a todos os valores mais essenciais do SER HUMANO e do PLANETA.

    Exemplo:

    “A falta de preparo e comunicação nos altos escalões agravaram as consequências do acidente de março na usina nuclear japonesa de Fukushima, disse nesta segunda-feira uma comissão que investiga o caso.
    Os especialistas disseram que a empresa Tepco, que operava a usina destruída por um tsunami no norte do Japão, e as autoridades reguladoras não foram capazes de prever adequadamente os resultados de uma tragédia desse tipo.
    A onda provocada pelo terremoto de 11 de março chegou a mais de 15 metros em algumas áreas, e destruiu os sistemas de refrigeração da usina, resultando no derretimento do combustível nuclear.
    "O órgão regulador nuclear do governo não solicitou à Tepco que tomasse medidas específicas, como uma construção adicional, depois de ter recebido os resultados de uma simulação da Tepco em 2008 e no começo de 2011 a respeito do impacto dos tsunamis sobre suas instalações", disse a comissão em um relatório preliminar.
    Em 2008, a Tepco simulou um tsunami com mais de 15 metros na usina, mas não tomou providências, por considerar que uma onda desse tamanho seria muito improvável, segundo a comissão.
    O relatório também diz que a Tepco não tinha técnicos suficientemente gabaritados no local após o acidente, e que por isso a empresa cometeu erros na avaliação e operação dos reatores danificados.
    Além disso, o centro de gerenciamento de crises do governo não manteve contatos adequados com escalões superiores que trabalham no mesmo prédio, e isso retardou o uso de um sistema que prevê a difusão da radioatividade.
    A comissão com 12 integrantes, chefiada por Yotaro Hatamura, professor de engenharia especializado na análise de falhas operacionais, deve divulgar seu relatório definitivo em meados de 2012. O grupo inclui sismologistas, ex-diplomatas e juízes.
    Em 16 de dezembro, o governo anunciou que os reatores de Fukushima atingiram o estado de desligamento a frio, o que representa um marco no trabalho de descontaminação da região, e era uma pré-condição para que cerca de 80 mil moradores voltem a suas casas num raio de 20 quilômetros em torno da empresa.
    Críticos dizem, no entanto, que o governo se precipitou em declarar o "desligamento frio" e uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo jornal Nikkei mostrou que 78 por cento dos entrevistados discordam da decisão do governo. 2011-12-26” in:

    http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5533210-EI294,00-Despreparo+agravou+acidente+nuclear+no+Japao+diz+comissao.html

    MAS… NINGUÉM FALA DISTO !!!
    SERÁ QUE 78 % ESTÃO ERRADOS ???
    E que pretendem os “outros” ???
    A POPULAÇÂO ANDA ADORMECIDA e NEM CALCULA O QUE TEMOS tal como NÃO SABE o que se passa com o Club Bilderberg ou a situação da central nuclear de Chernobil de 1986, que é uma bomba, prestes a rebentar, 10 vezes maior que Hiroshima ou Nagasaki.

    Um grande abraço.

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  3. É assustadoramente verdade o que aqui expõe.
    O nosso mundo está em perigo assim como todos nós.

    A maioria recusa-se a pensar e aos outros são religiosamente escondidas as situações de Chernobil.

    Os actuais políticos e seus antecessores apenas tem olhos para si e as regalias de que se vestem. Esquecem o povo e as suas necessidades primarias. Abusam da mentira e da hipocrisia para explorar e roubar em favor dos mais poderosos.

    Ainda assim acreditamos que poderá haver uma revolução mundial e que eles sofram dos males com que agora castigam os outros.

    Por este caminhar dentro de pouco tempo não haverá nações e todos se comunicarão com uma nova linguagem...os cinco continentes serão as únicas realidades...

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