quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Globalização ou Colonização Moderna???

Vão longe os séculos em que existia o feudalismo com o senhor feudal a dominar os plebeus que para ele trabalhavam na área do seu feudo. Mais tarde, depois de os portugueses, com os descobrimentos darem o primeiro passo na globalização, criando laços entre as gentes de todos os continentes, os europeus, a pretexto de levarem a sua religião e a sua civilização aos povos distantes, foram em busca de riquezas naturais e criaram as colónias, às quais impunham uma organização administrativa de estilo ocidental, contrariando sem contemplação as velhas tradições locais.

Criaram-se depois as democracias, como panaceia que traria a felicidade a todos com igualdade, liberdade (impossível de coexistir com a igualdade que, sendo imposta, coíbe a liberdade de ser diferente) e fraternidade. Cedo as guilhotinas condenaram os que teimavam em usar a liberdade de não serem iguais. Com esses contra-sensos, a democracia moderna nasceu doente.

Mas os povos foram coexistindo com mais ou menos guerras, mais ou menos violentas e, para lhes domar os impulsos, surgiram organizações diversas que, depressa, esqueceram a ideia dos objectivos e dos condicionamentos que estiveram na sua origem e nos seus propósitos. E vemos uma ONU a tergiversar e entrar em incoerências, como aqui tem sido frequentemente sublinhado, e uma União Europeia em vias de se auto-amputar por não saber dar continuidade ao objectivo que presidiu à sua criação. Mas, por outro lado, vemos o G20 que é formado pelos países mais ricos do planeta (cerca de 10% do total dos Estados independentes, soberanos) a imporem soluções para a gestão da Europa e do Mundo, colonizando os restantes 90%, que não são tidos nem havidos para as grandes decisões que a todos obrigam.

Mesmo no pequeno espaço da União Europeia, vemos o poder combinado e concertado da Alemanha e da França que vão preparando as soluções que mais lhes convêm, para toda a UE, falando-se já na provável exclusão do Euro dos países do Sul e da Irlanda. Realça-se que o bom entendimento entre a Alemanha e a França é positivo pois a falte dele já deu origem a diversas guerras das quais se salientam, por serem as mais recentes, a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais. Mas o seu bom relacionamento não lhes deve dar o direito de colonizarem todos ao restantes membros da União.

Mas além do G20, há também o G8, outra forma de encarar o domínio de todos por uma minoria colonizadora ou feudal. Democracia muito estranha esta em que nada se faz para se aproximar da igualdade de todos os seus componentes. E é estranho que, em oposição aos grupos mais poderosos, não se formem grupos dos mais pobres, não para se baterem em duelo, tão dispares são as suas capacidades, mas para contribuírem para a análise dos problemas que a todos afligem e levar os poderosos a ter em consideração as condições dos mais pobres, a fim de não os exterminarem. Há que não esquecer que nos 90% dos seres humanos há volumosa quantidade de mão-de-obra e de consumidores, sem o que as indústrias dos 10% mais ricos não podem continuar a funcionar.

É preciso fraternidade entre todos os Estados, com respeito mútuo que se afirme em todas as decisões que afectem mais do que um Estado, o que obriga a não menosprezar os menos dotados de riquezas. Nisso, como na vida interna dos Países, o diálogo construtivo é fundamental e nada o pode substituir.

Imagem que circula por e-mails

2 comentários:

  1. Caro A. Soares, interessante o seu texto, mas infelizmente não posso concordar com ele por conter uma avaliação equivoca e ideologicamente errónea do conceito igualdade remetendo-a perigosamente para um conflito com a liberdade (o que curiosamente de um certo ponto de vista serve de base ideológica ao liberalismo económico que censura no seu texto). É necessário que se compreenda que o termo igualdade, que ganha força na revolução francesa e se aprofunda em Marx, se remete à igualdade social - em Marx no contexto das classes e da luta de classes - i.e. no âmbito da distribuição da riqueza, da estrutura social e produtiva, de acesso a determinado tipo de " bens" (segurança, justiça, educação, saúde, cultura, etc.) e direitos políticos. Reconheça-se que todos os modelos de vida dominantes tem tendência a impor o seu padrão e desta forma produzir uma pressão sobre os demais, isto mesmo se identifica na "Modernidade" que se advoga da diferença, mas importa não confundir esta legitima discussão com o objectivo da igualdade e justiça social das ideologias progressistas e muito menos criar uma contradição insanável entre igualdade e liberdade, pois tal consistiria por certo uma das maiores brechas no edifício das ideias progressistas. Abraço.

    N.V.

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  2. Caro Nuno Vitorino,

    Concordo consigo, com a palavra igualdade pretendia-se igualdade de oportunidades de forma a evitar os privilegiados, os «boys» que enxameiam os «jobs».

    Mas há-de convir que para um slogan que devia servir de guia a uma revolução, não devia ser utilizada uma palavra tão confusa que precisa de um manual de instruções como é este seu texto. Procure num manual de Marketing as características que deve ter uma marca, um slogan, um título de livro ou de artigo, uma palavra de ordem. Deve falar por si, transmitir a desejada ideia força, sem ser preciso manual do utilizador.

    Nisso a revolução francesa fracassou e os tempos seguintes mostraram tal fracasso. Será interessante comparar a preparação, o desenrlar e os resultados da revolução francesa e da americana que deu origem à independência dos EUA.

    Posso sugerir o livro «Sister Revolutions - French Lightning, An´mercan Light» escrito por Susan Dunn, professora de literatura francesa e história das ideias no Williams College, e autora de «The Deaths of Louis XVI: Regicide and French Political Imagination. Vive em Williamstown, Massachusetts.

    Cumprimentos
    João

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